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Firminas e Mahins encerram semestre com trilha afro-brasileira e experiência educativa pelo centro de São Paulo

16 / 07 / 2026

Como parte do encerramento das atividades do primeiro semestre, as estudantes do Firminas e Mahins, iniciativa do Programa Malala Peregum, participaram de uma trilha afro-brasileira pelo centro histórico de São Paulo. A programação reuniu um almoço coletivo e uma visita mediada ao Museu das Favelas, transformando a cidade em um espaço de aprendizagem, pertencimento e valorização da história da população negra.

Mais do que uma saída pedagógica, a atividade foi pensada para fortalecer o vínculo das estudantes com o território em que vivem, ampliando seus repertórios culturais e estimulando uma nova forma de ocupar a cidade e seus equipamentos públicos.

Para Adriana Moreira, coordenadora do Eixo de Educação do Instituto Peregum e responsável pelo projeto Firminas e Mahins, caminhar pela cidade faz parte do processo educativo.

“A atividade de hoje diz respeito a uma trilha afro-brasileira na cidade de São Paulo. Ela oportuniza que as meninas, que moram aqui no Glicério, caminhem pela cidade como estudantes e sejam vistas como estudantes também.”

Segundo Adriana, a proposta convida as jovens a enxergarem o centro da cidade sob novas perspectivas, reconhecendo a presença e a contribuição histórica da população negra na construção de São Paulo.

“A cidade muitas vezes não oferece a possibilidade de entender o centro como um espaço construído por mãos e conceitos negros. Poder olhar esse território a partir dessa perspectiva é muito importante para nós.”

Outro objetivo da atividade foi aproximar as estudantes dos equipamentos culturais públicos, muitas vezes presentes em seu cotidiano, mas ainda pouco acessados.

“É também uma possibilidade de se apropriar dos equipamentos públicos da cidade. Eles são públicos, gratuitos, mas, de algum modo, quem mora no centro nem sempre consegue acessá-los.”

Inicialmente, a turma visitaria uma exposição sobre o funk no Museu da Língua Portuguesa. Entretanto, após o cancelamento da mostra, a equipe reorganizou a programação para o Museu das Favelas, aproveitando a oportunidade para aprofundar debates sobre memória, direito à cidade e desigualdades históricas.

“O Museu das Favelas nos permitiu discutir com as meninas o significado da Lei de Terras, o pós-abolição e como a população negra foi impedida historicamente de acessar a moradia e a terra. Foi um paradoxo que acabou enriquecendo muito a experiência educativa.”

Para a supervisora pedagógica Gabriela Lages, a caminhada pelo centro da cidade também foi parte essencial do processo formativo.

“Experimentar a cidade com os nossos próprios corpos foi muito importante. Saímos do Glicério, caminhamos pela Liberdade e pela Sé. Foi um grupo de meninas adolescentes ocupando a cidade, acessando cultura e ampliando as experiências construídas nas oficinas ao longo do semestre.”

A estagiária de Educação Andressa Souza destaca que a visita complementou os temas trabalhados nas oficinas de escrita criativa e teatro.

“As meninas puderam compreender melhor a história e a arte das periferias brasileiras, desconstruindo preconceitos e percebendo como essa cultura faz parte do cotidiano e das experiências delas.”

Ao longo do semestre, o projeto promoveu atividades voltadas ao fortalecimento da identidade, da expressão artística e da leitura crítica da realidade. Para a professora Elizandra Souza, esses processos vão além do desempenho escolar.

“O projeto fortalece a trajetória escolar das estudantes e desenvolve os potenciais de cada uma. Temos percebido que elas leem mais, participam mais e se apropriam da própria história, fortalecendo a autoestima e construindo uma identidade positiva para se posicionarem no mundo.”

A professora de teatro Dirce Tomaz também ressaltou como a visita dialogou diretamente com os conteúdos trabalhados em sala de aula.

“Encontrar, logo na primeira sala do museu, uma árvore da memória com nomes como Dandara, Luiza Mahin e Carolina Maria de Jesus aproximou as estudantes das referências que já trabalhamos nas oficinas. Isso fortalece o sentido das atividades e mostra que esses personagens fazem parte da nossa história.”

As estudantes também compartilharam as impressões sobre a experiência.

Adriana Neves, de 13 anos, contou que a visita despertou novas curiosidades sobre a cultura negra.

“Aprendi muitas coisas que eu não sabia. Descobri mais sobre o samba, sobre outras culturas afro e percebi como a cultura negra está em todos os lugares. Gostaria de voltar e aprender ainda mais.”

Larissa, de 14 anos, destacou as obras e as atividades desenvolvidas durante a visita.

“Gostei muito da exposição, das músicas, das danças e da árvore com nomes de pessoas negras que inspiram tantas histórias. Queria que a gente fizesse mais passeios como esse e que mais pessoas conhecessem a história da população negra e das periferias.”

Para Adriana Moreira, a atividade representa a síntese de todo o percurso desenvolvido pelas estudantes ao longo do semestre.

“Foi um dia prazeroso e uma síntese importante das experiências que elas viveram durante esse período. Ao longo do semestre elas estudaram Carolina Maria de Jesus, homenagearam Racionais MC’s nos saraus e desenvolveram atividades conduzidas pelas professoras Elizandra e Dirce. Encerramos este ciclo já pensando nas próximas experiências formativas do segundo semestre.”

A atividade reafirma o compromisso do Instituto Peregum com uma educação antirracista, que reconhece a cidade como espaço de aprendizagem e promove o protagonismo de meninas negras, periféricas e imigrantes por meio da cultura, da memória e do direito à cidade.

Reportagem: Caio Chagas – Fotos: Felipe Lara