Instituto realiza eventos e destaca agendas de enfrentamento ao racismo e direitos da população negra
O Instituto de Referência Negra Peregum participa da Quinta Sessão do Fórum Permanente de Afrodescendentes da Organização das Nações Unidas (ONU), que acontece entre os dias 14 e 17 de abril de 2026, em Genebra, no Palácio das Nações. Com o tema “Expandir os direitos humanos dos afrodescendentes no âmbito da Segunda Década Internacional de Afrodescendentes”, o encontro reúne governos, especialistas e organizações da sociedade civil de diferentes países.
Mais do que presença institucional, o Instituto Peregum chega ao Fórum com uma agenda definida: pressionar por avanços concretos no enfrentamento ao racismo sistêmico e na implementação de política de justiça racial em escala global.
Criado em 2021, o Fórum Permanente se consolidou como a principal instância internacional dedicada à promoção dos direitos da população afrodescendente. No entanto, persistem desigualdades estruturais profundas, mesmo após décadas de compromissos internacionais.
Nesse contexto, o Instituto Peregum defende que a justiça reparatória ocupe papel central na agenda global, com a adoção de políticas concretas capazes de enfrentar os impactos históricos da escravidão e do colonialismo, como a restituição de patrimônio cultural, a continuidade do apoio financeiro dos países para a continuidade das atividades do Forum e garantias de não repetição. Para a organização, também é urgente que o combate ao racismo sistêmico deixe de se restringir a compromissos formais e avance para medidas efetivas que enfrentem desigualdades raciais nas diferentes esferas da vida social, econômica e política.
A entidade destaca ainda que a Segunda Década Internacional dos Afrodescendentes (2025–2034) e após 25 anos da Declaração e Plano de Ação de Durban devem representar uma inflexão na implementação de políticas públicas, com mecanismos de monitoramento e responsabilização dos Estados. Ao mesmo tempo, reforça a necessidade de reconhecer o protagonismo da juventude negra como agente central na formulação de soluções e políticas, diante das múltiplas desigualdades que afetam esse grupo.
O Instituto Peregum aponta que o fortalecimento da incidência internacional é estratégico para ampliar o impacto dessas agendas, consolidando o Fórum como espaço de pressão política, articulação global e produção de recomendações com efeitos concretos nos países.
Para Douglas Belchior, diretor de Articulação Política do Instituto Peregum, a participação no Fórum reforça a importância da articulação política internacional como estratégia para avançar direitos.
“A luta contra o racismo não se resolve apenas no plano nacional. É fundamental fortalecer espaços multilaterais como o Fórum para pressionar Estados, construir consensos globais e avançar em agendas estruturais como a justiça reparadora”, destaca.
A programação do Instituto Peregum no Fórum inclui a realização de dois eventos paralelos, que aprofundam temas centrais da agenda global.
No dia 15 de abril, o debate “25 anos de Durban: solidariedade global afrodescendente, reparações e ações afirmativas — caminhos para inclusão no serviço público” discute os avanços e desafios na implementação de políticas de igualdade racial, com foco no acesso e na permanência de pessoas negras no serviço público.
Na ocasião, o Instituto leva ao Fórum experiências concretas desenvolvidas no Brasil, como o Programa Esperança Garcia, iniciativa voltada à formação e fortalecimento de trajetórias de pessoas negras no campo do direito e da justiça.
O evento contará com a presença da ministra da Igualdade Racial, Rachel Barros e, representando Peregum, Douglas Belchior, diretor de Articulação Política e Jéssica Ferreira, coordenadora do Programa Esperança Garcia, que destaca a presença em Genebra como uma forma de compartilhar caminhos possíveis.
“Levar o Programa Esperança Garcia para um espaço como o Fórum é mostrar que existem experiências concretas sendo construídas para enfrentar desigualdades raciais no sistema de justiça e que podem ser replicadas em todo o Brasil, pois é uma proposta que agrega estudo, bolsa e mentoria, fortalecendo o acesso a cargos públicos aliados à política de cotas, ou seja, um exemplo de ação afirmativa e prática de reparação”, destaca.
Já no dia 16 de abril, o evento “Avançando na justiça reparadora: da resolução de Gana à ação global” aborda o crescente reconhecimento internacional das reparações como resposta às injustiças históricas da escravidão e do colonialismo.
Para Sara Branco, coordenadora de Incidência Internacional do Instituto Peregum, estar no Fórum é estratégico para ampliar o alcance das pautas brasileiras.
“A participação de Peregum nesse espaço global é fundamental para conectar a luta brasileira por justiça racial com agendas internacionais. É também uma oportunidade de levar nossas experiências, fortalecer alianças e pressionar os países pela elaboração da Declaração dos Direitos Humanos dos Povos Afrodescendentes e se juntar a sociedade civil internacional na demanda de a próxima sessão do Fórum ser realizada em um país do sul global que represente a população africana e da diáspora além de incidir diretamente nos processos que influenciam políticas públicas em diferentes países”, aponta ela, que também participa, na terça (14), às 14h, do evento “A sociedade afro-brasileira avalia a implementação da Declaração e do Programa de Ação de Durban”, da Coalizão Negra por Direitos.
Ao participar do Fórum Permanente, o Instituto Peregum reforça seu compromisso com a construção de uma agenda global baseada em direitos humanos, equidade racial e justiça histórica e com a necessidade urgente de transformar compromissos internacionais em mudanças reais na vida da população negra.