Nota de pesar: Mãe Bernadete, quilombola, líder e ativista dos direitos humanos

18 / 08 / 2023
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Justiça pela família Pacífico e CONAQ

Neste momento, a sociedade brasileira acompanha com desolação a notícia da execução da coordenadora nacional da CONAQ, Mãe Bernadete (72), na quinta (17).

Iyalorixá e liderança do Quilombo Pitanga dos Palmares, no município de Simões Filho, na Bahia, Bernadete Pacífico também foi secretária de Promoção da Igualdade Racial da cidade e teve seu filho, Flávio Gabriel Pacífico dos Santos, Binho do Quilombo, assassinado há quase seis anos, no dia 19 de setembro de 2017.

Nos solidarizamos por essa perda e pedimos que as autoridades façam mais que acompanhar. É necessário justiça por Mãe Bernadete, família Pacífico e toda comunidade quilombola no Brasil, uma vez que a investigação da execução de seu filho e de muitos outros quilombolas não foram concluídas.

As comunidades quilombolas sofrem diversas ameaças em seus territórios, principalmente pela especulação imobiliária que insiste em retirar a história, ancestralidade e o povo quilombola de suas comunidades. E, por isso, a luta quilombola segue cada vez mais forte pela titulação e reconhecimento de suas terras.

Ela se torna uma ancestral, mas perdemos uma grande mulher e liderança que lutava pelos direitos humanos e ancestrais. Essa brutal passagem ocorrer dentro de um local sagrado, o terreiro da comunidade, dá caráter ainda mais cruel e racista ao caso.

Como disse hoje o filho de Bernardete, Wellington dos Santos, em entrevista à TV Bahia, “Minha família está sendo perseguida. Em 2017, meu irmão foi assassinado da mesma forma e ontem minha mãe foi executada enquanto estava com seus três netos. Queria saber o que a gente fez para esse povo. Não sabia que fazer o bem contraria tanto as elites”, afirmou ele, que reforçou: “Um crime liga ao outro. Eu confio na justiça de Deus e dos homens. Desse jeito, eles querem dizimar minha família. Agora só tem eu, então eu sou o próximo, mas eu não tenho medo não, eu só nasci uma vez e morrerei apenas uma vez e morrerei lutando”, afirmou.

Mais uma vez pedimos Justiça ao povo quilombola e por todo a população negra do Brasil, se juntando à nota emitida pela CONAQ. “Enquanto lamentamos a perda dessa corajosa liderança, também devemos nos unir em solidariedade e determinação para continuar o legado que ela deixou. Que sua memória inspire novas gerações a continuar a luta por um mundo onde todas as vozes sejam ouvidas, todas as culturas e religiões sejam respeitadas e todos os direitos sejam protegidos”.

Leia aqui a nota completa da CONAQ.